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06/09/2019Pastor de Mianmar pode ser processado por falar a Trump sobre perseguição religiosa

Presidente Trump com o pastor Hkalam Samson, de casaco claro e chapéu, em reunião com sobreviventes da perseguição religiosa em julho. (Foto: Alex Brandon/Associated Press)
 
Um pastor batista de Mianmar teve menos de 60 segundos no Salão Oval da Casa Branca para falar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os maus-tratos e abusos sofridos por seu povo.
 
Em julho, Hkalam Samson disse ao presidente que grupos étnicos em sua terra natal estavam sendo “oprimidos e torturados pelo governo militar de Mianmar” e agradeceu a ele por impor sançôes a quatro principais generais.
 
Agora, provando que Samson estava certo, um coronel do Exército de Mianmar foi a tribunal para processar o pastor por seus comentários sobre os militares durante a conversa com Trump.
 
Samson, que após sua visita à Casa Branca voltou para casa na cidade de Myitkyina, no norte de Mianmar, disse que está esperando para ver se um tribunal irá aceitar a queixa do coronel. 
 
A natureza da denúncia não é clara, mas em casos semelhantes, os militares se aproveitam das abrangentes leis de difamação criminal do país. Espera-se que um juiz decida na próxima semana se o caso pode prosseguir.
 
“Não há liberdade de expressão para os cidadãos de Mianmar, onde quer que você esteja, porque você pode ter problemas, mesmo quando fala sobre a verdade na Casa Branca”, disse Samson em entrevista ao The New York Times.
 
As autoridades dos EUA não falaram publicamente sobre o caso de Samson. Mas, em particular, expressaram preocupação de que um convidado da Casa Branca possa enfrentar a prisão pelo que ele disse ao presidente. 
 
Samson visitou a Casa Branca com líderes religiosos de todo o mundo cujas comunidades foram perseguidas por causa de sua fé.
 
Luta pela liberdade
 
Em 16 de julho, um dia antes de Samson visitar a Casa Branca, o governo Trump impôs sançôes ao principal comandante militar de Mianmar, o general Min Aung Hlaing, e a três de seus oficiais de mais alto escalão, por seus papéis em uma campanha contra muçulmanos étnicos, o que foi considerado pelas autoridades americanas como “limpeza étnica”.
 
Os militares, conhecidos como Tatmadaw, governaram Mianmar por quase meio século até 2011, quando começou a compartilhar o poder com líderes civis. Mas ainda mantém uma autoridade extraordinária sobre os assuntos do país, anteriormente conhecido como Birmânia.
 
Nos últimos três anos, os militares apresentaram dezenas de queixas por difamação contra seus críticos. Como na denúncia contra Samson, todos os casos foram movidos por coronéis.
 
Samson é presidente da Convenção Batista de Kachin e um dos principais defensores dos direitos das pessoas étnicas da região, que são predominantemente batistas e vivem no norte de Mianmar.
 
Samson, um representante de longa data de seu povo, visitou os EUA várias vezes e já havia conhecido Trump. Ele também conheceu o ex-presidente Barack Obama duas vezes, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton e o ex-presidente Jimmy Carter quando viajaram para Yangon, a principal cidade de Mianmar.
 
“Como cristãos em Mianmar, estamos sendo muito oprimidos e torturados pelo governo militar de Mianmar”, disse o pastor a Trump na Casa Branca. “Não temos muitas chances de liberdade religiosa"”
 
Vestindo um casaco e chapéu tradicionais de Kachin, ele pediu ajuda a Trump para levar a democracia a Mianmar e agradeceu-lhe pelas novas sançôes. “Sim, sim, nós fizemos algo”, respondeu o presidente. “Obrigado. Eu aprecio muito”.
 
Apesar da ameaça de ficar preso por meses ou anos, Samson disse que fazer parte de um processo legal já é um avanço, comparado com as décadas de impunidade militar em áreas étnicas como Kachin.
 
Durante esse período, ele disse, os críticos das forças armadas simplesmente desapareceriam. “Se os militares não estivessem felizes com o que dissemos, eles não entrariam com uma ação. Eles o levariam e você desapareceria anonimamente”, destaca.
 
COM INFORMAÇÕES DO THE NEW YORK TIMES

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